João Batista e a Alegria Espiritual

No terceiro domingo do Advento, o roxo penitencial dá espaço para o rosa e celebramos o Domingo “Gaudete” ou “da Alegria”. “Com alegria eu me rejubilarei no Senhor”, diz Isaías (Is 61, 10). “Meu espírito exulta em Deus, meu Salvador”, diz a Virgem Maria (Lc 1, 47). “Viveis sempre contentes”, diz São Paulo em 1Ts 5,16. “Endireitai o caminho do Senhor”, afirma João Batista (Jo 1, 23). 

Uau. O que esse santo do deserto está fazendo aqui? O seu chamado rígido não parece se enquadrar nesse contexto. 

Acredite ou não, João Batista é o santo patrono da alegria espiritual. Afinal, na presença de Jesus e Maria, ele pulou de alegria no ventre de sua mãe (Lc 1, 44). E ele se regozija ao ouvir a voz do noivo (Jo 3, 29-30¹).

Isso é bem interessante. Multidões estavam vindo para escutar João de toda Israel antes que qualquer um tivesse escutado algo a respeito de um carpinteiro de Nazaré. Na verdade, João até batizou seu primo, o que deu início ao ministério público de Jesus, anunciando o fim da carreira de João. 

A maioria de nós não apreciaria a competição. Os fariseus e os saduceus, com certeza, não. Eles se sentiam ameaçados pela popularidade de Jesus. Mas João, na verdade, encorajava seus discípulos a deixá-lo e a seguir o Cordeiro de Deus. Quando as pessoas vieram, prontas para honrar o Messias, ele os colocou no caminho certo. João não era a estrela do show, apenas o melhor ator coadjuvante. Jesus era a pessoa a ser vista. João talvez tenha sido o centro do palco por algum momento, mas agora que a estrela chegou, ele sabia que era o momento de sair discretamente.

Ou, para usar o exemplo do próprio João, ele era o padrinho no casamento. Certamente, é uma honra ser chamado de “padrinho”. Mas o padrinho não fica com a noiva. Segundo a tradição judaica, o papel do padrinho é levar a noiva ao noivo e depois sair silenciosamente. E nisso João encontrou sua alegria. “Nisso consiste a minha alegria, que agora se completa. Importa que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 29-30).

O Batista estava feliz porque ele era humilde. Na verdade, ele nos mostra a verdadeira natureza dessa virtude. Humildade não é se maltratar, negar que você tem qualquer dom, talento ou importância. João sabia que ele tinha um importante papel, que ele exerceu radicalmente, com autoridade e confiança. O homem humilde não olha para si timidamente. Na verdade, não olha para si. Ele sai de si e olha para o Senhor.

A maioria das pessoas, em algum momento, batalham contra um certo senso de inadequação. O orgulho é a forma de o pecado lidar com isso. Pessoas orgulhosas são preocupadas com si mesmas, concebendo os outros como competidores. O orgulhoso perpetuamente se exalta em detrimento dos outros, com a esperança de que isso gerará um sentimento de valor e paz. É óbvio que não gera. A história humana provou isso recorrentemente. Até mesmo os contadores de história gregos sabiam que hubris, ou orgulho, era o precursor da tragédia. Orgulho sempre vem antes da queda, como veio no Jardim do Éden.

A humildade traz a libertação dessa escravidão frenética. Tentar a todo momento se afirmar, exaltar e proteger é um empreendimento exaustivo. Receber a dignidade a valor próprio como um presente de Deus nos alivia desse fardo estressante. Livres dessa compulsão cega para a dominação, podemos sentir satisfação quando outros reconhecem que Deus é Deus e honram-nO como tal. Podemos até ser livres para reconhecer Deus em outra pessoa e nos alegrarmos quando os outros notam e honram a divindade de Deus. 

Mas e o chamado de João ao arrependimento? Como isso pode ser a Boa Nova? Arrependimento é sobre humildade e humildade é sobre liberdade. E a liberdade nos leva à profunda paz e alegria, alegria na presença do noivo.

[¹NT: “Aquele que tem a esposa é o esposo. O amigo do esposo, porém, que está presente e o ouve, regozija-se sobremodo com a voz do esposo. Nisso consiste a minha alegria, que agora se completa. Importa que ele cresça e que eu diminua”.]

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Autor: Marcellino D’Ambrosio

Fonte: Catholic Exchange

Traduzido por Maria Augusta Viegas – Membro da Rede de Missão Campus Fidei, servindo no Núcleo de Comunicação e Formação, além de atualmente participante do Grupo de Estudo Dating São Pio, em Brasília – DF.

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