
Deus e eu temos uma piada interna. Tudo começou há dois anos, quando li um artigo 1sobre discernimento. O autor escreveu que, quando uma amiga sua enfrentava uma grande decisão, ela pedia a Deus para ver um cachorro — especificamente um dálmata — como confirmação de que estava fazendo a escolha certa.
Como o autor explicava no artigo, confiar em sinais de Deus não é a melhor ferramenta para o discernimento. Deus não é um vidente e, muitas vezes, os sinais que percebemos dizem mais sobre nós mesmos e o que queremos do que sobre a vontade de Deus. Ao mesmo tempo, Deus pode falar conosco através do mundo físico da maneira que mais precisamos.
Na época em que encontrei esse artigo, eu estava faminta por afirmação de Deus. Tinha um trabalho que me trazia pouca realização, um trajeto longo que drenava minha energia e um profundo anseio por comunidade e amizade. Não estava enfrentando nenhuma decisão fundamental, mas queria que Deus me desse um sinal de que eu estava seguindo na direção certa, mesmo que não parecesse assim. Não sei se foi certo ou errado pedir isso a Deus, mas alguns dias depois, enquanto dirigia para casa do trabalho, vi uma mulher atravessando a rua com dois cães pintados na coleira — dálmatas.
Embora isso possa parecer um sinal direto do divino, senti mais como uma cutucada divertida do Senhor. Ao ver aqueles dálmatas, percebi um imperativo paternal e uma promessa de Deus: “Relaxe, está tudo bem, estou aqui.”
Nos meses seguintes, não pedi para ver outro dálmata, mas de vez em quando cruzava com um, os pelos marcantes dos cachorros me enchiam de um calor interior enquanto me asseguravam da presença de Deus. Ver os dálmatas não foi uma coincidência nem um comando — simplesmente permitiu que Deus se aproximasse de mim de uma maneira que Ele sabia que eu reconheceria.
Então chegou um momento em que eu deveria tomar uma decisão. Tinha duas ofertas de emprego para discernir, e as semelhanças em ambos os cargos e locais de trabalho tornavam a escolha extremamente difícil. Como ambos eram em universidades locais, decidi ir até cada uma e caminhar pelos campi, refletir sobre as ofertas e tentar determinar para onde minha alma era atraída.
Fiz minha busca em um sábado gelado no meio do inverno, nuvens cinzentas e suaves lançando sombras sobre o tráfego na via expressa. Ao pegar a saída para o primeiro campus, notei que o carro à minha frente estava com as janelas abaixadas, o que parecia uma escolha estranha para um dia tão frio. Enquanto fazíamos a curva na saída, a cabeça de um dálmata surgiu da janela do passageiro, as orelhas do cão tremulando ao vento frio. Meu coração acelerou enquanto aceitava o aperto de Deus em meu ombro e agradecia por Ele estar ao meu lado enquanto tomava minha decisão.
Olhando para trás, não sei se aquele dálmata era uma indicação de que o campus para o qual eu estava indo era onde eu pertencia, ou apenas um lembrete gentil de que Deus estaria comigo onde quer que eu fosse. Independentemente disso, sei que não foi por acaso que eu estava dirigindo atrás daquele carro ou que o cão precisava de ar fresco — Deus sabe o que falará mais conosco no momento em que precisamos ouvi-Lo.
Não acho que o discernimento e a tomada de decisões devam depender exclusivamente de sinais percebidos de Deus, mas também tenho fé de que Deus encontra maneiras únicas de se revelar a nós. Um estranho que segura a porta quando nossos braços estão cheios, um semáforo que fica verde bem quando nos aproximamos — tudo está carregado de significado, quer escolhamos extrair ou não.
Se confiarmos que tudo o que encontramos tem a capacidade de nos conectar de volta a Deus, momentos de banalidade podem se tornar belos e coincidências podem se transformar em garantias de que Ele está nos observando. Quando vejo um dálmata, é como receber uma nota manuscrita de Deus, uma pequena piada interna para levantar meu ânimo e me encher com Sua presença. Deus sempre sabe o que afirmará seu amor por mim, mesmo que venha na forma de um cão pintado.
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Autor: Grace Splewak
Fonte: Busted Halo.
Traduzido por: Caio Caetano – Membro da Rede de Missão Campus Fidei.
