
Quer levar uma pessoa à conversão? Eu sou um convertido: veja como funcionou para mim.
Há dois anos, eu me tornei católico, aos 23 anos, depois de estudar teologia em uma Universidade Católica. Como um jovem convertido, eu várias vezes me vejo refletindo sobre a minha jornada com a fé, para que eu consiga comunicar o meu processo a outros jovens que estão buscando sentido em um mundo desprovido do sagrado. À luz dessas reflexões iniciais, se eu tivesse que dar qualquer conselho aos católicos que querem ajudar a guiar outros efetivamente à Igreja, eu diria três coisas:
Entenda o que a evangelização é e o que ela envolve
Quando eu comecei meu curso de teologia na universidade, eu não sabia nada sobre a fé da Igreja Católica. Minha falta de experiência era tão óbvia que, em uma das primeiras aulas, meu professor pediu que a turma listasse quantos Evangelhos Sinóticos existiam no Novo Testamento. Eu, claro, não sabia do que ele estava falando, mas com certeza ele me chamou para responder a pergunta.
“Eu não sei”, eu respondi.
“Você está falando sério, Charles?”, o professor perguntou.
Sentindo-me um tanto envergonhado, acrescentei que não era cristão nem católico e não sabia o que significava a palavra “Sinótico”. Meu professor, então, tornou-se atencioso e, ao invés de me dar um olhar desacreditado, ele me disse que poderia responder minhas dúvidas sobre o Catolicismo por e-mail, e que ficaria feliz em me responder. Eu não poderia parar de pensar que a sua generosidade formou a base do que eu hoje considero como o início da minha educação espiritual.
Eu falo dessa experiência, porque ela revela uma grande lição. A evangelização e a conversão não são sobre saber o que é certo, mas sobre viver o que é certo. Depois que meu professor percebeu que eu não tinha sido exposto às ideias católicas antes, ele decidiu compartilhá-las comigo. Evangelização é, então, procurar a verdade em uma relação com outra pessoa, e só funciona se as duas pessoas estão comprometidas em encontrar a verdade como Cristo queria: com amor. Meu professor – se assim quisesse, assim como a minha turma – poderiam ter me julgado por estar em uma universidade católica sem ser católico. Ao contrário, eles não se sentiram superiores por conta disso. Eles me convidaram para que eu compartilhasse mais sobre mim mesmo, o que me fez perguntar mais sobre a vida deles. Isso me fez perceber que as pessoas não querem ser drenadas por fatos, mesmo se forem sobre a verdade cristã. Para citar a falecida poetisa Maya Angelou: “Aprendi que as pessoas esquecerão o que você disse, as pessoas esquecerão o que você fez, mas as pessoas nunca esquecerão como você as fez sentir”.
Entenda que o chamado para converter outras pessoas não é um chamado para vê-los como um objeto a ser ganhado
Pelo contrário, conversão é uma oportunidade de conhecer melhor as pessoas, de aumentar o seu conhecimento e se aprofundar no entendimento de como é para as pessoas viver sem Cristo. Dadas as circunstâncias do nosso tempo, eu acredito que católicos se sentem mais pressionados a contribuir e guiar as pessoas, ou elas perderão seu interesse pela fé. Ou até pior: católicos começam a sentir como se eles tivessem falhado no “trabalho” de evangelizar se as suas interações com as pessoas não produzem frutos visíveis. Mas Deus não é um chefe que nos deu a evangelização como trabalho a ser performado, ou mesmo espera que nós convertamos qualquer um na primeira interação que tenhamos com eles. Deus é paciente e trabalha no seu próprio ritmo, e tudo que é plantado pelas Suas mãos floresce no final.
A realidade do processo de conversão é que ele é devagar, e nós, como cristãos, precisamos entender que toda contribuição nossa deve ser dada de forma sábia e paciente. Além disso, quando falamos com alguém que está interessado em aprender mais, nós devemos saber que não falar sobre a fé nas primeiras interações não nos faz maus católicos. Na minha vida, durante a faculdade, meus colegas nunca forçaram a fé deles em mim. Eu não poderia ver, mas aqueles jovens católicos que eu via todos os dias durante três anos exerceram a sabedoria de Deus, mostrando que eles tinham interesse na minha vida, e investindo em assuntos que iam além do meu questionamento religioso. Em resumo, eles estavam lá por mim, e não me viam apenas como alguém para se tornar católico, o que foi justamente o motivo de eu eventualmente me tornar um.
Viver a fé vai sempre ser aprovado por alguém e desaprovado por outros
Em outras palavras, a melhor chance que católicos têm de converter pessoas é viver a sua fé totalmente, mais do que de forma parcial, com medo de que seu comprometimento leve a uma desaprovação. Eu me lembro do meu choque em perceber que muitos dos meus colegas de classe tinham oito ou mais irmãos. Antes da minha conversão, eu achava que era impensável e, às vezes, até imprudente. No entanto, o fato de eles não serem afetados pela minha opinião sobre as suas famílias me mostrou que eles não se importavam com a opinião de ninguém fora do mundo católico. A simples exposição à forma como os católicos vivem o mundo me deixou curioso para conhecer mais sobre o porquê de os católicos viverem da forma como vivem. As grandes famílias, o participar frequentemente da missa, os dias de festa – tudo isso me intrigou mais do que quaisquer palavras faladas – e muitas vezes é a diferença entre os católicos e o mundo que mais atrai as pessoas que desejam no seu coração viver uma vida dedicada a Deus. Devemos sempre nos lembrar que Deus nos chamou para viver o Evangelho sem vergonha, e não se pode ser uma lamparina para o mundo se escondermos a luz debaixo de um alqueire.
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Autor: Charles Chamberlane
Charles é um escritor católico de Melbourne, Australia, que se converteu ao catolicismo aos 24 anos. Ele escreve sobre fé, conectando-a às experiências vividas no mundo antes de sua conversão.
Fonte: Busted Halo
Traduzido por Maria Augusta – Membro da Rede de Missão Campus Fidei
