
Hoje de manhã, no momento da oração percebi que meu terço estava arrebentado. Isso é relativamente comum na minha casa porque as crianças pegam o terço para brincar e acabam estragando. A verdade é que isso sempre me chateava e estressava porque eu não tinha a ferramenta certa para resolver, acabava levando mais tempo do que o necessário, machucava o dente e nunca conseguia arrumar de verdade.
Há um tempo, comprei na Shoppe um conjunto de alicates para consertar isso. A qualidade não era lá essas coisas, mas acabei ficando com eles, talvez por preguiça de devolver ou porque não achava que a necessidade era grande. Curiosamente, o usei para consertar os terços quebrados na época e acabei deixando jogado pela casa. Na segunda-feira, vi um terço arrebentado e fui atrás do alicate. Encontrei-o na lavanderia, largado entre os materiais de limpeza e já enferrujado. O alicate estava duro, mas ainda funcionava. Consertei o elo arrebentado do meu terço e deixei o alicate na capela.
Hoje de manhã, o terço que eu tinha consertado estava estranhamente ainda mais danificado. Havia contas perdidas e os elos estavam encaixados de forma errada. Durante a oração, fui desencaixando os elos errados, procurando as contas perdidas, contando as Ave-Marias para consertar do jeito certo. Faltava o Pai-Nosso: tira, volta, conserta novamente. Finalmente olhei para o terço e percebi o que Deus me falava ali: os elos soltos estavam agora mais apertados, o que parecia perdido fora renovado. Identifiquei outros pontos que não estavam soltos, mas frouxos, apertei também estes. O alicate, ainda que enferrujado, foi capaz de consertar de maneira eficiente o que estava perdido. Era o instrumento certo para aquela situação.
Nesse momento lembrei de nós, e dos “elos rompidos” pelos quais estamos rezando. Quantas vezes tentei consertar, sem sucesso, os meus terços por mim mesma… Eu encaixava e logo as contas se soltavam novamente. Muitas vezes, nossa oração é o alicate enferrujado de que Deus se serve para firmar os elos. Nós precisamos colocar a mão na massa, buscar as contas perdidas, observar a ordem das Ave-Marias e apertar o alicate. Conta por conta. Elo por elo. O bom Deus nos ajudará a fazer novas todas as coisas. E ao final, se ainda faltar alguma conta, nosso anjo da guarda rezará por nós a Ave-Maria que falta.
Não esmoreçamos, mas confiemos. Só a Tua graça me basta.
“Como sabeis, sempre desejei ser santa. Mas, ai! Comparando-me com os santos, sempre constatei que há entre eles e eu a mesma diferença que existe entre uma montanha cujo cimo se perde nos Céus e o grão de areia obscuro, calcado aos pés dos caminhantes. Ao invés de me desanimar, disse a mim mesma: O Bom Deus não poderia me inspirar desejos irrealizáveis; posso, então, apesar de minha pequenez, aspirar à santidade. Crescer me é impossível; devo suportar-me tal qual sou, com todas as minhas imperfeições, mas quero, contudo, procurar o meio de ir para o Céu por um caminhozinho bem reto, bem curto, uma pequena via inteiramente nova. Estamos num século de invenções. Agora, não se tem mais o trabalho de subir os degraus de uma escada: na casa dos ricos, um elevador a substitui vantajosamente. Quanto a mim, também desejei encontrar um elevador para subir até Jesus, pois sou muito pequena para subir a rude escada da perfeição. Então, fui procurar nos Livros Sagrados a indicação do elevador, objeto do meu desejo, e li estas palavras pronunciadas pela boca da Sabedoria Eterna: “Se alguém for pequenino, venha a mim”. Aproximei-me, pois, adivinhando que tinha descoberto aquilo que procurava. Querendo saber, oh, meu Deus, o que faríeis com o pequenino que correspondesse ao vosso apelo, continuei minhas buscas e eis o que encontrei: ‘Assim como uma mãe acaricia seu filhinho, assim eu vos consolarei; aconchegar-vos-ei ao meu seio e acariciar-vos-ei sobre meus joelhos!’ [Is 66,13] Ah! Nunca palavras mais doces, mais melodiosas vieram alegrar minha alma! O elevador que deve fazer-me subir até o Céu são os vossos braços, Jesus! Por isso não preciso escrever; devo, pelo contrário, permanecer pequenina e tornar-me cada vez mais pequenina.”
Texto escrito por Ludmila Giacone, missionária da Rede de Missão Campus Fidei
