“Hoje é o último dia do mês mariano, peça uma graça”…

Há dois anos (31 de maio de 2023), participava da santa missa dedicada à Festa da Visitação de Nossa Senhora. Antes de dar a benção final, o sacerdote fez a seguinte exortação: “hoje é o último dia do mês mariano, peça uma graça”. Pedir uma graça…não poderia haver solicitação mais conveniente para o momento que estava vivendo. 

Naquela ocasião, eu me encontrava em meio a um curto período de discernimento acerca da minha ida à Jornada Mundial da Juventude que aconteceria em Lisboa, Portugal. Havia decido me colocar em oração durante uma semana para tentar compreender se realmente deveria embarcar nessa aventura e Deus foi atuando com sua graça, dando alguns sinais, mas eu, na minha pequenez e, com um pouco da atitude de São Tomé, ainda não tinha certeza que Deus estava manifestando sua vontade por intermédio dos sinais que enxergava.

Ao escutar o convite feito pelo padre, olhei para a imagem de Nossa Senhora das Graças, título do qual sou devota, e com muita fé falei: “Minha Mãe, a senhora sabe que participar da JMJ é um desejo do meu coração, mas me dê um sinal e me mostre se essa não é apenas uma vontade do meu coração, mas sim a vontade de Deus para mim”.

Pedis e recebereis.” (Mt 7,7): a graça não demorou a vir.

O meu sinal foi manifestado por meio de uma frase que li quando procurava uma informação no site oficial da JMJ. Essa frase era o tema da JMJ 2023: “Maria levantou e partiu apressadamente” (Lc 1,39). Não sei colocar em palavras o sentimento que tomou conta do meu coração, mas talvez possa afirmar que a feliz surpresa e providência de me deparar com um dos versículos do Evangelho da missa daquele mesmo dia, somado ao fato dessas palavras me soarem tão claras, foram os pontos que me fizeram ter a certeza de que havia recebido meu sinal. Afinal, levantar (tomar a decisão) e partir apressadamente era o que precisava fazer, pois tinha pouco menos de dois meses para providenciar tudo o que fosse necessário para a viagem (tudo mesmo, até passaporte).

Até esse momento, você deve estar se perguntando o motivo pelo qual faço essa partilha. O primeiro motivo é para que eu mesma faça memória agradecida, pois “o cristão é, fundamentalmente, uma pessoa que faz memória” (Evangelii Gaudium, n. 13) e lembrar das maravilhas que o Senhor fez (faz) em minha vida. O segundo, é para, de modo especial no mês mariano, recordar da importância e grandiosidade da mediação de Nossa Senhora.

Conforme mencionado anteriormente, sou devota de Nossa Senhora das Graças e o modo como passei a ter essa devoção poderia ser objeto de outra partilha, mas, de forma resumida, ela começou por meio de uma das falas de Nossa Senhora das Graças na aparição à Santa Catarina Labouré, que me tocou profundamente:

“Os raios são o símbolo das Graças que derramo sobre as pessoas que Me as pedem. Os raios mais espessos correspondem às graças que as pessoas se recordam de pedir. Os raios mais delgados correspondem às graças que as pessoas não se lembram de pedir”.

Maria não é “apenas” uma grande intercessora, que atua com a sua “onipotência suplicante: o que ela pede a Deus, obtém infalivelmente”, como afirmou Santo Afonso de Ligório, mas também é aquela que, como uma boa e terna mãe, vem ao nosso socorro, recordando da importância de recorrermos a ela e de pedirmos a sua intercessão.

“Os raios mais delgados correspondem às graças que as pessoas não se lembram de pedir”… Não sei você, mas pensar que talvez tenha perdido graças ou posso deixar de recebê-las pelo simples fato de não pedir mudou a minha relação com Nossa Senhora, fazendo com que a vergonha que eu sentia ao recorrer a sua intercessão desaparecesse de vez (me considerava uma filha “pidona”).

O professor Felipe Aquino, no livro “O socorro da Virgem Maria e as suas sete dores”, menciona que “pretender uma graça e não pedir a Maria, o mesmo é querer que o desejo voe sem asas”. Poderia dizer que a mensagem proferida na aparição de Nossa Senhora das Graças despertou em meu ser o desejo de que os meus desejos nunca mais voassem sem asas, pois Aquela que, da mesma forma que “embeleza nossas boas ações, ornando-as com seus méritos e virtudes”, apresentando-as ao Rei (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, n.º 147), não deixaria de interceder por nós junto a Deus, apresentando nossas preces, “pois nunca se ouviu dizer, desde que o mundo é mundo, que alguém que tenha recorrido à Santíssima Virgem, com confiança, perseverança, tenha sido desamparado ou repelido” (São Bernardo ou Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, n.º 85). 

Uma exortação. Uma oração (pedido). Uma (a) intercessão. Uma graça recebida. A verdade é que depois dessa experiência, a Festa da Visitação de Nossa Senhora e o último dia 31 de maio ganharam um novo sentido e nunca mais serão vividos do mesmo jeito. Maria, a cheia da graça, nos ensina a importância de nos fazermos pequenos e, apressadamente, nos colocarmos debaixo de seu manto sagrado, sob a sua intercessão para acolhermos, com confiança, as graças que Deus quer derramar sobre nossas vidas. 

Por isso, meu irmão e minha irmã, seja qual for o desejo que você carrega no mais profundo íntimo do seu coração, gostaria de repetir hoje as mesmas palavras que possibilitaram com que eu embarcasse na maior e melhor aventura (até o momento) da minha vida: “hoje é o último dia do mês mariano, peça uma graça”.

Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, se abrirá.” (Mt 7, 7-8).

Nossa Senhora Medianeira de todas as Graças, rogai por nós que recorremos a vós!

Texto escrito por Letícia Brasil, missionária da Rede de Missão Campus Fidei.

5 2 votos
O que você achou?
Assinar
Notifição de
0 Comentários
Mais antigo
Mais recentes Mais Votada
Feedbacks online
Ver todos os comentários
Este site utiliza cookies para lhe oferecer uma melhor experiência de navegação. Ao navegar neste site, você concorda com o uso de cookies.
0
Deixe seu comentário no post!x